O tempo voa.

acalma.online nasceu da perceção de que o estado de “emergência mental” caminharia a par com o estado de emergência. Atenuar os efeitos do confinamento, através de apoio psicológico especializado e com uma ferramenta simples e acessível, foi o objetivo da Casa do Impacto, na criação desta plataforma nacional de apoio à saúde mental.

Sabe mais sobre o acalma.online aqui.

Decorridos 3 meses de atividade da plataforma, que a Casa do Impacto desenvolveu no âmbito do movimento Tech4covid19 e com o apoio das Startups de Impacto ZenKlub, Doctorino e Hug-a-Group e em parceria com a WithCompany e a DoctorSpin, divulgamos agora alguns dados do relatório feito tendo como base o inquérito de satisfação e de avaliação de impacto, levado a cabo pela Casa do Impacto, que focou o principal stakeholder da plataforma, os(as) pacientes.

A 23 de Junho de 2020 tinham sido realizadas 943 consultas, numa média mensal de 309 consultas. Foram em média 3,4 as consultas mensais oferecidas pelos(as) 90 psicólogos(as) envolvidos(as), em regime de voluntariado, com apoio dos restantes parceiros envolvidos, igualmente em regime de voluntariado individual e de organizações. Face às 1326 consultas agendadas com sucesso, a taxa de realização foi de 71% e a taxa de desistência foi de 29% (228 faltas + 155 cancelamentos).

Relativamente ao inquérito de avaliação de impacto e de satisfação da plataforma a taxa de resposta e respetiva amostra foi de 20%, tendo sido recebidas 184 respostas válidas (correspondentes a 142 pessoas apoiadas), o que permitiu fazer a seguinte caracterização dos beneficiários da plataforma:

  •  27 pessoas que beneficiaram de duas a seis consultas (23% dos 142 pacientes);
  • Média de 39 anos de idade (dos 17 aos 74);
  • 68% eram mulheres;
  • 67% tinham frequentado o ensino superior;
  • 67% estavam empregados (TCO; TCP; Mistos; Trabalhadores-Estudantes);
  • 19% estavam desempregados;
  • 11% eram estudantes;
  • 4% estavam reformados.

É de realçar que, no conjunto dos 35 países da OCDE, Portugal está entre os cinco com maior percentagem da população com algum tipo de problema de saúde mental (18,4%, com base num estudo de 20161) e que, no nosso país, os desafios da saúde mental passam maioritariamente pelos problemas mais comuns, ligados à ansiedade e à depressão.

À data da primeira consulta obtivemos os seguintes indicadores quanto ao perfil de entrada do beneficiário:

  • Nível de gravidade (diagnóstico): a maioria das pessoas (62,7%) situava-se no nível “moderado”, seguidas do grupo com diagnóstico “grave” (24,6%);
  • A plataforma estava a apoiar as pessoas que mais precisavam porque a soma do nível moderado com o nível grave da escala de risco, corresponde a 87,3% das pessoas apoiadas;
  • A situação laboral apresentava grandes diferenças, oscilando 7,1 pontos em 35. As situações mais graves são as dos desempregados (26 em 35) e de seguida os trabalhadores que acumulam TCO e TCP, bem como os estudantes (ambas as categorias com 23 em 35).

O apoio psicológico em contexto de crise está alinhado com uma meta 3.4 (específica do ODS 3) relacionada com a promoção da saúde mental e bem-estar. Esta meta é medida à escala nacional e global pela redução da taxa de suicídio, problemática que consideramos ultrapassar a escala e missão de uma plataforma de apoio psicológico em contexto de crise. Optámos por adaptar uma boa prática da OMS, de apoio psicológico em contexto de adversidade.

De acordo com um estudo da DGS2 (Mulheres N = 2.217; Homens N = 1.632) e segundo a OCDE (Health at a Glance: Europe 2018: dados de 2016), a percentagem de mulheres (48,8%) e homens (27,6%) que utilizaram serviços de apoio psicológico de algum tipo, ao longo da vida, incluindo serviços não especializados, representavam em Portugal, em 2013, cerca de 723.735 pessoas, correspondendo a 38,2% do total da população que precisa de apoio psicológico. Para colocar este número em perspectiva temos 61,8% ou 1.174.076 pessoas que segundo a OCDE sabemos precisarem de apoio psicológico (18,4% da população portuguesa em 2016) mas que nunca usufruíram de nenhum tipo de apoio desta natureza.

O projeto adotou como teoria da mudança3 a hipótese central de que o alívio psicológico imediato resulta numa maior capacidade de adaptação e no desenvolvimento de competências emocionais que podem ajudar a prevenir uma crise de saúde mental ainda maior, com todos os impactos negativos que dela podem advir, procurando então atingir os seguintes resultados diretos:

  1. Alívio imediato e estabilização da sintomatologia psicopatológica;
  2. Apoio na resolução da resposta desadaptativa ao acontecimento gerador de desorganização no momento;
  3. Promoção de competências para a resolução da situação provocadora de mal-estar.

Que melhor forma de agradecer o trabalho realizado se não com a demonstração do impacto positivo do acalma.online na vida das pessoas apoiadas:

  •  8,8 em 10 (N=142) revelaram elevada satisfação com o serviço;
  • 8,4 em 10 (N=142) referiram elevado impacto do apoio na melhoria do bem-estar individual imediato
  • No benchmarking, na satisfação com a sua vida (OCDE/Gallup), a população apoiada (N=142) tinha 5 (escala de 1 a 10) na primeira consulta, estando 1 ponto abaixo da média nacional (6 em 10 | em 2018) e estando também 2 pontos abaixo da média da OCDE (7 em 10, 2018);
  • Os principais indicadores foram desenhados com a intenção de captar mudanças nas pessoas apoiadas em duas ou mais consultas. Sobre o conjunto dessas 27 pessoas (que tiveram acesso a duas ou mais consultas), sabemos que:
  1. O nível de risco baixou 2 pontos na segunda consulta para o conjunto das 27 pessoas (passando de 23 para 21 numa escala de 0 a 35) e baixou 4 pontos, de 23 para 18, para um subconjunto de 8 pessoas que tiveram três e quatro consultas;
  2. Asatisfação com a vida (OCDE/Gallup) aumentou 1,1 pontos (de 5,0 para 6,1 numa escala de 1 a 10) para as 27 pessoas, atingindo o benchmark nacional para este indicador;
  3. Quando questionados sobre se a plataforma acalma.online melhora o bem estar das pessoas apoiadas, houve um aumento de 0,9 pontos (de 7,9 para 8,8 numa escala de 1 a 10); nível de satisfação com a plataforma enquanto serviço manteve-se elevado com uma subida de 0,9 pontos, passando de 8,5 para 9,4 em 10.
  • No subconjunto das 7 pessoas com nível grave de risco (27 a 35) houve uma evolução notável:
  1. No nível de risco passaram de 30 para 24, de “grave” para “moderado”;
  2. A sua satisfação com a vida atingiu 6,8 em 10 colocando-as acima dos benchmarks (6,0 em 10, em Portugal e 6,6 em 10, no plano da OCDE);
  3. O impacto do acalma.online no bem estar subiu 3,1 pontos (de 6,4 para 9,5 em 10);
  4. A satisfação com a plataforma passou de 7,0 para a nota máxima de 10,0 em 10.
  • Enquadrando o indicador de mudança que mede o impacto do acalma.online no aumento do bem-estar, no referencial IMP – Impact Management Project, o acalma.online posiciona-se entre os projetos similares com contribuição positiva para a solução, tendo em conta o resultado elevado face à percentagem de mudança total possível neste indicador: 83% (136 das 142 pessoas) responderam > 4 numa escala de 1 a 10.

É com orgulho que divulgamos este balanço tão positivo do acalma.online. Na Casa do Impacto trabalhamos diariamente para continuar a impactar positivamente a Comunidade.

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Referências:

OECD/European Union (2018), Health at a Glance: Europe 2018: State of Health in the EU Cycle, OECD Publishing, Paris/European Union, Brussels

2 Andrade de Carvalho, A & Mateus, P & Xavier, M (revisão) et al (2014) PORTUGAL, Saúde Mental em números – 2014, Programa Nacional para a Saúde Mental, Direção-Geral da Saúde, Direção de Serviços de Informação e Análise 

Dembek, K et al (2017)