A Casa do Impacto à conversa com Pedro Humbert, promotor da eCO2Blocks, um projeto foco na produção sustentável de materiais de construção, que participou na primeira edição do RISE for Impact.

Durantes as próximas semanas vamos conversar com outros participantes e mostrar-te que o RISE for Impact é o programa de aceleração certo para desenvolveres o teu projeto de impacto. Candidata-te à próxima edição e junta-te à comunidade que faz a diferença!

A eCO2Blocks desenvolve e produz de materiais de construção reciclados compostos por resíduos industriais, água não potável e dióxido de carbono (CO2). Além de evitar a utilização de matérias primas naturais e poluentes, a tecnologia eCO2Blocks proporciona um ciclo de produção 10 vezes mais rápido, custos de produção até 50% inferiores, além de valorizar os resíduos industriais em mais de 100 vezes. Os produtos de construção da eCO2Blocks possuem propriedades equivalentes ou superiores aos produtos de betão, além de utilizarem o mesmo processo de fabricação (sendo a adaptação necessária simples e barata).

 

Como surgiu a ideia do vosso projeto e qual a motivação para o seu desenvolvimento?

A ideia surgiu ao longo do doutoramento. Realizei doutoramento com ênfase na otimização das reações de carbonatação de resíduos industriais (escória de aço) de modo que estes pudessem se aglutinar formando um ligante com propriedades mecânicas equivalentes ao cimento Portland para aplicações pré-fabricadas.

As principais motivações para o desenvolvimento do projeto foram:

  • A indústria, em geral, produzir enormes quantidades de resíduos que são, maioritariamente, armazenados em aterros provocando impactos ambientais significativos.
  • O aumento populacional e urbano que demanda novas infraestruturas. A indústria da construção produz seus materiais com um extensivo consumo de recursos naturais, além da alta geração de emissões de CO2 (8% de todo o planeta).
  • O CO2 é o principal gás de efeito estufa e apenas tentar reduzir suas emissões não é sustentável. A busca de um armazenamento seguro, permanente e barato de CO2 foi também uma motivação.
  • Por fim, me vi num meio académico onde a pesquisa era pouco aplicada à indústria. O fato de não contribuir de maneira significativa para a sociedade me fazia muita confusão. Logo, através da combinação de preocupações com o meio ambiente, a indústria e a atividade de investigação surgiu a ECO2Blocks.

Em que estádio de desenvolvimento se encontrava a vossa startup quando integrou o RISE e o que vos levou a participar?

O projeto estava em fase de prototipagem. O conteúdo do programa combinado com o interesse em nos aproximarmos da siderúrgica (Seixal), nos impulsionou a participar no RISE.

diagrama que explica o funcionamento da eco blocks

Como é que a vossa startup beneficiou dos “workshops” em que participou na fase de capacitação?

A experiência de um modo geral foi bastante positiva. Apesar de ser um programa intenso (2x por semana e bastante atividade para ser feita no restante da semana), conseguimos gerir o nosso tempo para aproveitar. 

Dos milestones traçados desde o início do RISE, quais os atingidos até ao momento?

Os nossos milestones sempre foram com foco na industrialização e comercialização dos produtos. Após a prototipagem o objetivo era realizar um piloto em escala semi-industrial junto a uma siderúrgica. Infelizmente, o processo não avançou em Portugal. Negociamos iniciar o piloto no Brasil (com previsão de início em junho/20) porém, devido a crise sanitária o projeto foi suspenso. 

De que forma é que a vossa startup contribui para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (Agenda 2030) da ONU?

Contribuímos para alguns dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, mas principalmente para o ODS 12 – Consumo e produção responsáveis.

Qual a mensagem que queres deixar a quem se queira candidatar à próxima edição do RISE for Impact?

Aproveitem cada sessão, cada evento, cada oportunidade para crescer e desenvolver o seu projeto com mais impacto e assertividade.

Edifício com varandas repletas de plantas