De 11 de outubro a 10 de novembro, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa apresenta a 31ª Edição da Temporada Música em São Roque, uma das mais antigas temporadas de música erudita de Lisboa.

11 OUT

CORO GULBENKIAN
SEXTA-FEIRA | 21h00
Igreja de São Roque

Petite Messe Solennelle
A pequena pérola religiosa de Gioachino Rossini

FOLHA DE SALA PDF - 844KB

Michel Corboz | Maestro
Dora Rodrigues | Soprano
Carolina Figueiredo | Meio-Soprano
Marco Alves dos Santos | Tenor
Manuel Rebelo | Baixo
Adriano Jordão | Piano
Inês Vaz | Acordeão

Gioachino Rossini

Petite Messe Solennelle

Kyrie
Gloria
Gratias
Domine Deus
Qui tollis
Quoniam
Cum Sancto Spiritu
Credo
Crucifixus
Et resurrexit
Preludio religioso
Sanctus
O salutaris
Agnus Dei

Gioachino Rossini (1792-1868)
Petite Messe Solennelle

“…esta pequena composição é o derradeiro pecado mortal da minha velhice”. Com o seu próprio punho, anotou Rossini estas palavras no frontispício da sua Petite Messe Solennelle. E, como se pedisse perdão ao Criador, por o ter negligenciado durante uma grande parte da sua fecunda obra, Rossini dedicou-lhe ainda estas palavras: “Bom Deus… aqui a tens terminada, esta pobre pequena missa. Será bem música sacra o que acabei de fazer, ou será sacra música? Nasci para a ópera buffa, tu bem o sabes! Um pouco de sabedoria, um pouco de coração, está lá tudo. Peço-te portanto que sejas benigno e me abras as portas do paraíso”.
Numa obra que assume o tom de um comovente testamento espiritual e de um último e íntimo diálogo com a música, a designação Petite Messe possivelmente traduz, por si, a profissão de um ato de humildade do seu autor. No entanto, na sua versão completa, é uma obra-prima de amplas proporções, ponto de contacto entre a antiga tradição – em particular a rica tradição da polifonia sacra – e a “música do futuro”. Por um lado, a tradição é restaurada na admirável clareza da escrita e no uso do contraponto, como a imitação e o fugatto, que não são, de todo, estranhos a Rossini, mas que aqui são tratados de forma mais rigorosa e misticamente pura. Por outro lado, a “música do futuro”, que a nova geração agitava diante dos velhos compositores como uma ameaça, nas mãos de Rossini resultou, por exemplo, numa pessoal e inovadora conceção tímbrica do acompanhamento da Missa: dois pianos (principal e ripieno) e um harmónio, para acompanhar um coro a quatro vozes e um quarteto de solistas. No entanto, quase em simultâneo com a escrita da partitura com este insólito acompanhamento, Rossini traçou as linhas que conduziriam à partitura definitiva.
Escrita aos setenta e cinco anos, mais de trinta depois da retirada oficial de Rossini da vida musical pública, a versão para coro, solistas, dois pianos e harmónio foi escrita em Passy, em 1863, por solicitação do conde Alexis Pillet-Will. A primeira audição teve lugar no dia 14 de Março de 1864, na mansão do conde, na rua Moncey, em Paris.

Miguel Martins Ribeiro

13 OUT

CAMERATA ATLÂNTICA
DOMINGO | 16h30
Convento de São Pedro de Alcântara

Diálogo entre Antigos e Modernos
Uma viagem desde o século XVIII até os nossos dias, exclusivamente com obras de compositores portugueses.

FOLHA DE SALA PDF - 662KB

Camerata Atlântica | Orquestra
Carolina Figueiredo | Solista. Mezzo-Soprano
Ana Beatriz Manzanilla | Direção Musical
Sérgio Azevedo | Compositor

Carlos Seixas (1704 – 1742)

Sinfonia em si Bemol maior para cordas

Allegro-Adagio-minuet (allegro)

-Laudamus te e
-Domine Deus da Missa em Sol
-Dominus a dextris tui do Dixit Dominus

João Rodrigo Esteves (1700 – 1755)

-Virgo virginum praeclara do Stabat Mater

Pedro António Avondano (1714 – 1782)

Sinfonia em Fá maior

Allegro-Largo-Allegro

Francisco António de Almeida (1702 – 1755)

-Domine Fili da Missa em Fá
-Tu devicto mortos aculeo
-Te martirum candidatus

Sérgio Azevedo (1968)

Sinfonietta para Cordas*
-Inquieto
– Coral
-Alla Rustica e Hino

Joly Braga Santos (1924 – 1988)

Concerto em ré para cordas
-Largamente maestoso-Allegro
-Adagio non troppo
-Allegro bem marcato

*Estreia mundial

A Sinfonietta para Cordas foi escrita a partir de esboços e andamentos inacabados que, por uma razão ou por outra, estavam “adormecidos” nos meus papéis. A escrita de obras para orquestra de cordas já vem, no meu caso, desde as colaborações de décadas com a Sinfonietta de Lisboa e a Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras, cuja base são precisamente as cordas.
A Camerata Atlântica começa agora a interpretar também obras minhas, sendo esta a primeira de duas estreias que fará ainda em 2019.
A Sinfonietta, pensando no carácter sacro das peças vocais deste concerto, e nas obras orquestrais de Carlos Seixas, António Avondano e Joly Braga Santos, tem um carácter grave, nos dois primeiros andamentos, que se coaduna com os dois primeiros andamentos do Concerto de Joly Braga Santos e termina, no terceiro andamento, com um hino de cariz vocal, que culmina o percurso espiritual da peça no sentido escuridão-luz, dessa forma lançando pontes com as peças sacras da primeira parte do programa.
Escusado será dizer que o modalismo arcaizante de Joly Braga Santos e o que se encontra no 2º andamento da Sinfonietta, bem como o carácter neoclássico (neorrenascentista e neobarroco) de ambas as obras, são elementos que ajudam ainda mais à coerência estilística do programa, criando a necessária continuidade entre passado e presente.

18 OUT

CORO CASA DA MÚSICA
SEXTA-FEIRA | 21h00
Igreja de São Roque

Vespro della Beata Vergine
A grandiosidade e serenidade das Vésperas de Claudio Monteverdi. Obra fundamental do início do Barroco.

FOLHA DE SALA PDF - 487KB

Sopranos
Ângela Alves
Else Torp
Eva Braga Simões
Joana Pereira
Leonor Barbosa de Melo
Rita Venda

Contraltos

Brígida Silva
David Hackston
Iris Oja
Joana Valente

Tenores
Almeno Gonçalves
André Lacerda
Luís Toscano
Vitor Sousa

Baixos
Francisco Reis
Luís Pereira
Nuno Mendes
Pedro Guedes Marques

Maestrina co-repetidora
Iris Oja

Organista co-repetidor
Fernando Miguel Jalôto

Orquestra Barroca Casa da Música

Violinos
Huw Daniel
Reyes Gallardo

Violas
Trevor McTait
Raquel Massadas

Violoncelos
Filipe Quaresma
Vanessa Pires

Contrabaixo
José Fidalgo

Teorba
Sören Leupold

Baixão
José Rodrigues Gomes

Órgão
Fernando Miguel Jalôto

Cornetos
William Dongois
Tiago Simas Freire
Andrea Inghisciano

Sacabuxas
Emily White
António Santos
Hélder Rodrigues

Claudio Monteverdi

Vespro della Beata Vergine, SV 206 (1610; c.1h30min)

1. Versículo & Responsório: Deus in adjutorium/Dominum ad adjuvandum a 6
2. Salmo: Dixit Dominus a 6 voci & 6 instrumenti
3. Concerto: Motetto Nigra sum a voce sola
4. Salmo: Laudate pueri Dominum a 8 voci nel organo
5. Concerto: Motetto Pulchra es a 2 voci
6. Salmo: Laetatus sum a 6 voci
7. Concerto: Motetto Duo seraphim a 2 voci, & poi a 3 voci
8. Salmo: Nisi Dominus a 10 voci
9. Concerto: Motetto Audi coelum, prima ad una voce sola [con echo], poi nella fine a 6 voci
10. Salmo: Lauda Jerusalem a 7 voci
11. Concerto: Sonata sopra Sancta Maria ora pro nobis
12. Hino: Ave maris stella a 8 voci
13. Magnificat [I] a 7 voci

As Vespro della Beata Vergine (em português: Vésperas da Santa Virgem) são um conjunto de obras de música sacra publicado por Claudio Monteverdi em 1610.
As Vespro fizeram parte de uma coleção maior, que incluiu uma missa a capella (Missa In illo tempore) e alguns concertos sacros, vindos a público no mesmo momento. Como as coleções semelhantes de sua época, essas obras se destinavam a atender a múltiplas funções, e podiam ser executadas à discrição dos intérpretes em variadas combinações vocais e instrumentais, usando as peças avulsas ou agrupando quantas fossem necessárias para o culto da ocasião. Entretanto, o grupo de peças que forma as Vespro tem gerado muito debate entre os especialistas, pois apesar do título não segue a sequência de trechos de nenhuma liturgia mariana oficial. Quanto à sua substância musical, é uma composição extremamente heterogênea, usando todos os estilos e estruturas formais conhecidos em seu tempo, desde o fabordão harmônico até os solos vocais virtuosos, de simples apresentações de trechos de canto gregoriano acompanhado ao órgão até variadas combinações orquestrais e corais, e passando dos recitativos para complexas seções polifônicas, e nesse sentido as Vespro formam a mais rica, avançada e suntuosa coletânea de música sacra até então publicada. Em termos de instrumentação, amplitude e coesão estrutural, embelezamento virtuosístico e tratamento retórico do texto também se colocam acima e à frente de tudo o que já fora feito no gênero por outros compositores. O único elemento que une as peças individuais é o fato de todas terem sido compostas a partir de uma linha de canto gregoriano.

Kurtzman, Jeffrey G. The Monteverdi Vespers of 1610: music, context, performance. Oxford University Press, 1999. pp. 1-9; 101-102; 163-164.

19 OUT

ORQUESTRA ORBIS
SÁBADO | 16h30
Convento dos Cardaes

Le miroir de Jésus
A obra-prima de André Caplet. Ilustração musical dos 15 pequenos poemas de Henri Ghéon sobre os santos Mistérios do Rosário.

FOLHA DE SALA PDF - 668KB

Mariana Castello-Branco | Soprano
Raquel Alão | Soprano
Cecília Rodrigues | Soprano
Ana Franco | Soprano
Sónia Alcobaça | Soprano
Ana Ferro | Mezzo-Soprano
Carolina Figueiredo |Mezzo-Soprano

José Pereira | Primeiro Violino
Filipa Poêjo | Segundo Violino
Joana Tavares | Viola
Carolina Matos | Violoncelo
Adriano Aguiar | Contrabaixo
Inês Cavalheiro | Harpa

João Paulo Santos | Diretor Musical
Luís Miguel Cintra | Conceção Cénica

André Caplet (1878 – 1925)

Le miroir de Jésus

São 15 pequenos poemas de Henri Ghéon sobre os santos Mistérios do Rosário. É, pelo menos a uma primeira escuta, música sacra. André Caplet, num princípio de século XX de feridas abertas no rescaldo da guerra, com uma voz e um pequeno coro de mulheres, escreve uma peça musical em que se diria que se ouve mais a distância a que aquela Europa está da evocação canónica dos diferentes episódios da vida de Cristo, assumida pela presença da figura despersonificada mas identificável como a da Virgem Maria, que a execução de uma ordeira oratória de câmara. A nossa proposta, transformando o próprio lugar do concerto num espaço cénico real (pensamos sobretudo na capela do convento dos cardais) habitado por um conjunto de figuras díspares de mulheres, por quem redistribuiríamos o discurso da solista original, espécie de grupo de carpideiras que não conseguissem já chorar, prisioneiras do espanto, poderá resultar numa espécie de áspera representação do absurdo nosso contemporâneo. Na dificuldade de justamente dar corpo a um “Espelho” de Jesus.

20 OUT

CAPELLA JOANINA
DOMINGO | 16h30
Mosteiro de Santos-o-Novo

Proibição & Consentimento: Transmutação na Música Portuguesa de Seiscentos para Setecentos
As práticas musicais particularmente apreciadas, proibidas e reveladas aos públicos lusitanos de seiscentos e inícios de setecentos: do vilancico ibérico ao moteto da época joanina.

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Eunice Abranches, Magna Ferreira | Sopranos
Cristina Rosário, Filipa Oliveira | Altos
Bruno Nogueira, Daniel Issa | Tenores
Bernardo Mariano | Baixo
Vinicius Perez | Guitarra / Tiorba
Maria Cleary | Harpa
Hugues Kesteman | Baixão / Fagote
Jean Marc-Faucher | Violone
João Janeiro | Cravo / Órgão e direcção

Filipe Da Madre De Deus, 1630-1687

Ostente Aplausos Festivos
Tono Humano a 4 com texto de Soror Violante do Céu

António Marques Lésbio, 1639-1709

Ya las Sombras dela Noche
Tono Humano a 4

Ayreçillos Manços
Vilancico a 4

Dexen que llore mi niño
Vilancico a 8

Joaquim Vale Mexelim, ? – apud 1760

Laudate Pueri Dominum (estreia moderna)
Responsório a 4

Francisco António De Almeida, 1703-1755?

Justus ut Palma
Responsório a 4

Dixit Dominus
Responsório a 4

Programa estruturado em torno de práticas musicais do barroco ibérico com grande aceitação popular e mais tarde proibidas por decreto régio e das que forma impostas nos círculos musicais portugueses a partir de inícios de setecentos. O tono humano e o vilancico, géneros músico-poéticos eminentemente ibéricos, tiveram um culto massivo na península nos séculos dezasseis a dezoito e também nos territórios ibero-americanos. A provar estão numerosos manuscritos e libretos que chegaram até nós espalhados por estas geografias. As vívidas descrições do seu uso contribuem também para compor a imagem da sua importância na actividade cultural naqueles contextos. D. João V, porém, com a firmeza da sua política cultural, apostado em orientar esteticamente as práticas musicais para o que se considerava de mais avançado — falamos dos círculos musicais de Roma e Nápoles —, decidiu proibir em 1724, por decreto, a execução e o culto deste género musical tão arreigado entre as comunidades religiosas. Consequentemente, abandonou-se compulsivamente práticas musicais, cujas partituras se perderam também com o terramoto de 1755.
Para ilustrar esta aparente oposição entre o que é proibido e o que é consentido, que representa amiúde uma mera modificação formal, pois podemos identificar linhas de continuidade estética nas práticas compositivas, escolheu-se quatro peças do século dezassete de dois mestres da Capela Real que revelam bem o altíssimo nível artística e o potencial impacte que o vilancico e tono humano podem ter no público. O vilancico Ayreçillos, um dos mais difundidos vilancicos de Marques Lésbio, mas sempre encantador para os músicos e públicos; o Tono Humano ‘Ostente Aplausos Festivos’ com texto de Soror Violante do Céu, destinado a celebrar a maioridade do Rei D. Afonso VI, com um texto pleno de encómios completamente desfasados com realidade, mas servido de uma partitura absolutamente sublime, com uma riqueza tonal e rítmica superlativas. O vilancico ‘Dexen que Llore mi Niño’ e o tono ‘Ya las Sombras de la Noche’ são exemplos da genialidade musical e poéticas de Lésbio, aliás amplamente reconhecida na época. Marques Lésbio exibe uma escrita plena de imagens e metáforas suaves que aludem aos afectos e qualidades humanas, com uma rara capacidade de comunicação poético-musical. Na segunda parte deste programa, além dos responsórios de Francisco António de Almeida, compositor maior da corte joanina, é apresentada em estreia moderna o Salmo Laudate Pueri de Mexelim, um dos bolseiros joaninos cuja música continua a ser completamente desconhecida.

23 OUT

DIVINO SOSPIRO
QUARTA-FEIRA | 21h00
Igreja de São Roque

Passio Ibérica
A visão da piedade culta e popular sobre o tema das Sete Palavras de Cristo na Cruz e do Stabat Mater, na tradição ibérica do século XVIII.

FOLHA DE SALA PDF - 494KB

Massimo Mazzeo | Diretor Musical
Bárbara Barradas | Soprano
Lucia Napoli | Mezzo-Soprano
André Baleiro | Barítono

Francisco Xavier Garcia Fajer (1730 – 1809)

Siete Palabras de Cristo en la Cruz

José Joaquim dos Santos (1747 – 1801)

Stabat Mater

“Uma Dor Mediterrânica ou “Uma dor que não conhece ocaso”, uma visão da piedade culta e popular sobre o tema das Sete Palavras de Cristo na Cruz e do Stabat Mater na tradição ibérica, são o epicentro desta proposta.
Ao compor musicalmente as Siete Palabras de Cristo en la Cruz, F.X. Garcia Fajer situa-se dentro de uma tradição antiga na Espanha do Séc. XVI, onde a distinção se encontra na forma invulgar e apenas aparentemente incomum, com que Garcia trata o texto musical e “literário”; duas vozes de soprano e cordas descrevem e sublinham aquelas que são verdadeiras meditações escritas em castelhano, relativamente ao conteúdo de cada uma das palavras do Senhor. A peça abre com uma introdução que nos prepara para a “dramaturgia”, acabando numa verdadeira “Liturgia da Palavra” com uma das vozes a declamar sozinha e sem acompanhamento os últimos versos, deixando o espaço no mais completo silêncio.
José Joaquim dos Santos, no seguimento de uma tradição devocional muito longa compôs vários Stabat Mater, o último dos quais publicado em Lisboa com a data de 1792 e com o título de Stabat Mater a três vozes, Dois Sopranos e Baixo, com duas Violetas e Violoncelo.
É a única peça de música sacra publicada em Lisboa na segunda metade do século XVIII, acabando por corresponder ao estilo italiano então largamente difundido em Portugal, graças à presença neste país de grandes compositores, entre os quais se destaca o italiano David Perez e ainda ao envio de estagiários portugueses a Itália.
Trata-se de uma peça de origem litúrgica (sequência da Missa) que canta o sofrimento da Mãe de Cristo em pé junto da Cruz, que o crente pretende partilhar na intenção de obter a intercessão divina na hora da morte.
Utilizado fora da Liturgia em novenas devocionais, deu origem a grandes composições como a de Pergolesi no estilo barroco. A sua execução em Lisboa no ano de 1787 poderá ter sido o que motivou esta nova composição de José Joaquim dos Santos. De facto, ele utiliza basicamente a mesma forma musical de Pergolesi, convertendo as 22 estrofas da sequência em 12 andamentos distribuídos por três, dois ou apenas um solista. Dos Santos, o “Mestre da Muzica do Real Seminário da Santa Igreja Patriarcal e compositor da mesma”, soube utilizar subtilmente e além da forma os mesmos barroquismos estilísticos de Pergolesi no tratamento das palavras e dos versos da antiga sequência litúrgica, como se poderá apreciar neste concerto.

25 OUT

VOZES ALFONSINAS
SEXTA-FEIRA | 21h00
Convento dos Cardaes

Itinerâncias trovadorescas: cantigas medievais
Redescoberta das cantigas medievais em Galego-Português: no século XVIII e na atualidade.

FOLHA DE SALA PDF - 1,18MB

Nuno Torka Miranda | Alaúde medieval
Catarina Lemos e Melo | Cravo
Madalena Cabral | Rabeque e viola de arco medieval
Sérgio Peixoto | Tenor
João Pedro Sebastião | Tenor
Victor Gaspar | Barítono
Susana Teixeira | Mezzo-Soprano
Gonçalo Pinto Gonçalves | Declamador
Manuel Pedro Ferreira | Diretor Musical

Peire Vidal

A itinerância de Peire Vidal (I): cantigas de seguir galego-portuguesas

Peire Vidal: Anc no mori per amor ni per al (instrumental) 2. Osoiro Anes, c. d’amor: Sazom é já de me partir 3. D. Dinis, c. d’amor: Quer’eu em maneira de proençal

Anónimo

Estampie royale nº3

A itinerância de Peire Vidal (II): cantigas de seguir galego-portuguesas

5. D. Dinis, c. amor: Amor fez a mim amar 6. Peire Vidal: Pos tornatz sui (instr.) 7. Vidal (judeu de Elvas), c. amor: Moir, e faço dereito 8. Pero G. Ambroa, c. de maldizer: Pero d’Armea

Anónimo

Estampie royale nº 5

Alfonso X

Cantigas de Santa Maria de Alfonso X: ciclo de Roma e Bizâncio

10. CSM 17, Sempre seja bẽeita e loada 11. CSM 28, Todo logar mui ben pode seer defendudo 12. CSM 67, A Reínna groriosa tant’ é de gran santidade

VVAA

Cantigas de escárnio e maldizer: melodias francesas e provençais (I)

13. João Soares de Paiva: Ora faz host’ o senhor de Navarra (mús.: Conon de Béthune) 14. Martin Moxa, cantiga de maldizer: Maestr’Acenço, dereito faria (mús.: Arnault de Maruelh)

Anónimo

I’ senti’ matutino (versão instrumental)

Cantigas de escárnio e maldizer: melodias francesas e provençais (II)

16. Lopo Lias: A dona fremosa do Soveral (mús.: Pierre Corbie) 17. Lopo Lias: Quem hoj’houvesse (mús.: Guillem Augier Novella)

Alfonso X

Cantigas de Santa Maria de Alfonso X: ciclo de Inglaterra e Toledo

18. CSM 6, A que do bon rei Daví 19. CSM 2, Muito devemos, varões 20. CSM 10, Rosa das rosas e fror das frores

Este programa apresenta, entremeados, dois momentos de redescoberta das cantigas medievais em Galego- Português: o século XVIII (transcrição de Cantigas de Santa Maria no caderno Barbieri, com acompanhamento de baixo contínuo) e a atualidade (redescoberta das versões musicais das cantigas trovadorescas de tipo contrafactum, no âmbito de projeto recentemente concluído no Instituto de Estudos Medievais). Ouvir-se-ão cantigas de escárnio e maldizer (melodias de Conon de Béthune; melodias de Peire Vidal; melodias avulsas), cantigas de amor (melodias de Peire Vidal; melodias avulsas) e Cantigas de Santa Maria (melodias anónimas ou de Afonso X) do tempo da campanha imperial do Rei Sábio, provável eco das que terão sido transmitidas à corte portuguesa, como gesto de propaganda política, por volta de 1267.
Muitas das cantigas trovadorescas galego-portuguesas, entre finais do século XII e inícios do século XIV, usavam melodias preexistentes, sobretudo melodias associadas aos poemas de além-Pirenéus que serviam de modelo à «cantiga de amor». Embora tenham chegado até nós poucas melodias originais ibéricas (para textos de Martin Codax e D. Dinis), é sabido que os trovadores recorriam a modelos de autoria alheia (contrafactum) e alguns desses modelos, em língua occitana ou francesa, têm vindo a ser paulatinamente identificados. Um esforço de sistematização e ampliação desse conhecimento foi realizado por dois centros de investigação da Universidade Nova de Lisboa (IEM, CESEM) no âmbito de um projeto inicialmente financiado pela Fundação Gulbenkian, com vista à recuperação das melodias alheias utilizadas pelos trovadores ibéricos, permitindo recriar a sonorização dos seus poemas. Este concerto apresenta o resultado dessa investigação, com várias cantigas em primeira audição musical moderna. Paralelamente, outra investigação desenvolvida no CESEM fez luz sobre um manuscrito do século XVIII conservado em Madrid, que contém algumas Cantigas de Santa Maria em versão barroca, transcritas para voz aguda com baixo contínuo para uma assistência selecta. Esse manuscrito, o caderno Barbieri (BNE, Ms. M. Caja 3881/8) contém seis melodias medievais, que serão apresentadas segundo a sua leitura setecentista, acompanhadas ao cravo, também em primeira audição moderna, em confronto com excertos das mesmas cantigas, segundo a versão medieval mais antiga das melodias.

27 OUT

CONCERTO CAMPESTRE
DOMINGO | 16h30
Mosteiro de Santos-o-Novo

Ah nhá nhá venha escutar
O nascimento da Modinha em Portugal.

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Pedro Castro | Flautas, oboé histórico e coordenação artística
Joana Seara | Soprano
Catherine Strynckx | Violoncelo barroco
Flávia Almeida Castro | Cravo

Diogo Dias Melgás (1638 – 1700 )

Salve Regina

Carlos Seixas (1704 – 1742)

Sonata em dó menor
Largo – Giga allegro – Adagio – Menueto I e II

Francisco António de Almeida (1702 – 1755)

Con Quante Lusingue
Ária da ópera La Spinalba

João Sousa Carvalho (1745 – 1798)

De Io dico all’antro addio
Ária da serenata L’Angelica

Se a fé jurada

Marcos Portugal (1762 – 1830)

Cuidados tristes cuidados

António da Silva Leite (1759 – 1833)

Amor concedeu-me um prémio

José Palomino (1755 – 1810)

Sinto amor de dia em dia

António Gallassi (1792 – ?)

Moda nova feita à Serra do Gerêz

Joan Bautista Pla (1720 – 1773)

Sonata para oboé em dó menor
Allegretto – Andante – Allegro assai

Marcos Portugal (1762 – 1830)

Você trata amor em brinco

O Concerto Campestre convida a soprano Joana Seara a partilhar o palco num programa que inclui compositores portugueses dos sec. XVII e XVIII, um período em que a casa de Bragança fez um importante investimento na formação de músicos dentro e fora do país, enviando os mais talentosos a estudar em Roma e importando e cultivando o gosto pela ópera italiana. Francisco António de Almeida e Sousa Carvalho foram dois destes talentosos bolseiros, que nos reinados de D. João V e D. José e com dinheiro da casa real estudaram em Roma, regressando depois para vir a produzir na sua terra natal algumas pérolas do nosso património musical, como a ópera “La Spinalba” e a Serenata “L’Angelica”, do qual se encontram excertos neste programa. Já no reinado de D. Maria I, cujo compositor favorito foi João de Sousa Carvalho, a produção e formação musical local tornou-se mais autónoma, tendo Marcos Portugal, aluno de Sousa Carvalho, vindo a tornar-se um estrela internacional. É neste período que a burguesia local começou a ganhar uma maior importância social e procurando imitar os hábitos da corte consumiam música dos mesmos compositores. Ao contrário da realeza que ouvia sempre ópera seria Italiana, a restante sociedade veio a preferir temas cantados em português. Estes eram encomendados aos compositores da moda e difundidos por edições impressas vendidas avulso ou por subscrição. O nível de procura e popularidade destas edições na altura pode ser equiparado hoje em dia a um canal de Youtube.
Este programa retrata o que antecedeu a todo este fenómeno incluindo e contrapondo com alguma da música realizada para a corte e pelos compositores locais da altura.

1 NOV

ENSEMBLE MPMP
SEXTA-FEIRA | 21h00
Igreja de São Roque

Quatro absolvições
Libera Me e Quatro absolvições, duas obras maiores de João Domingos Bomtempo, a par com a estreia absoluta de uma obra de Hugo Ribeiro (prémio Musa 2019).

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Jan Wierzba | Direcção Musical
Mariana Castello-Branco | Soprano
Carolina Figueiredo | Mezzo-Soprano
João Pedro Cabral | Tenor
André Baleiro | Barítono

João Domingos Bomtempo (1775-1842)

LIBERA ME, para coro e orquestra (1835)

Hugo Ribeiro (1983-)*

Canções do espaço e da luz
Para coro, órgão e orquestra (2019)

João Domingos Bomtempo (1775-1842)

QUATRO ABSOLVIÇÕES, para solistas, coro e orquestra (1822)

* N. B.: A estreia absoluta confia-se a Hugo Ribeiro, vencedor do Prémio Musa 2019. O certame, desenvolvido em estreita colaboração com o Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto e dedicado à obra poética de Sophia de Mello Breyner Andresen, no ano do seu centenário, procurou distinguir a excelência musical da composição contemporânea de tradição erudita ocidental e, nesse contexto, estimular e promover a língua portuguesa como veículo expressivo. Neste contexto, a obra funcionará como ponte entre as duas obras programadas de João Domingos Bomtempo e explorará o uso do órgão histórico da Igreja de São Roque, bem como diversas soluções de espacialização especialmente pensadas em função das características acústicas do espaço.

João Domingos Bomtempo (1775-1842) é um caso excepcional na história da música em Portugal. Alcançando grande êxito em Paris e em Londres como pianista virtuoso e também como compositor, será em Portugal, na sua geração e no conturbado contexto político-social em que o país se encontrava, o principal impulsionador da música clássica de tradição erudita, aqui destacando-se o seu papel fundamental na criação da Sociedade Filarmónica ou do Conservatório Nacional. Activo simpatizante da causa constitucional, vê a sua carreira institucionalmente consagrada quando as forças liberais vencem definitivamente os absolutistas, sendo por isso natural, no seu percurso, a composição de obras de grande solenidade como as que ora se apresentam: o ‘Libera me’ é estreado para lembrar o primeiro aniversário da morte de D. Pedro IV, em 1835, e as anteriores ‘Quatro absolvições’ – com que o concerto de hoje se encerra – são estreadas por ocasião da trasladação do corpo de D. Maria I, a 20 de Março de 1822.
Estes dois títulos, juntamente com as partituras exemplares do ‘Te Deum’ e, sobretudo, do ‘Requiem’ à memória de Camões (apresentado pelo Ensemble MPMP no festival Dias da Música 2017, gravado e transmitido pela RTP), formam o mais moderno e consistente conjunto de obras sacras portuguesas da primeira metade do século XIX. Se o ‘Libera me’ evoca a marcha fúnebre da Sinfonia Heróica de Beethoven, as ‘Quatro absolvições’ citam abundantemente o seu próprio ‘Requiem’, por sua vez muito permeável à então já canónica obra-prima de Mozart.
Em ambos os casos, Bomtempo mostra-se plenamente consciente dos dispositivos retóricos e dos recursos técnicos mais recentes e inovadores do seu tempo e, utilizando com desenvoltura essa gramática, revela-se o compositor mais adequado à monumentalidade e mundividência que a nova elite cultural liberal consignava às celebrações oficiais.
Precisamente como celebração da modernidade e da criatividade musical portuguesa, abre-se espaço no programa para a estreia absoluta de “Canções do espaço e da luz”, nova obra encomendada pelo MPMP no contexto da residência artística do Prémio Musa 2019, cujo compositor galardoado foi Hugo Ribeiro, com ‘Poemas sem nome’ sobre Sophia de Mello Breyner Andresen, no contexto do seu centenário.

Edward Luiz Ayres d’Abreu

3 NOV

CUPERTINOS
DOMINGO | 16h30
Convento de São Pedro de Alcântara

Requiem a 4 de Manuel Cardoso
Incursão pela obra magistral de Manuel Cardoso, inspirada nas temáticas da penitência e redenção.

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Eva Braga Simões, Joana Castro, Bárbara Luís | Cantus
Gabriela Braga Simões, Brígida Silva | Altos
Luís Toscano, Almeno Gonçalves | Tenores
Pedro Silva, Nuno Mendes, Pedro Lopes | Bassus

Manuel Cardoso (1566 – 1650)

Vau. Et egressus est a filia Sion
In monte Oliveti
Tristis est anima mea
Missa Pro Defunctis a 4
Tua est potentia
Domine tu mihi lavas pedes
Amen dico vobis
Cum audisset Johannes
Ipse est
Omnis vallis
Quid hic statis
Magnificat secundi toni (versos ímpares)
Sitivit anima mea

O programa hoje interpretado baseia-se no 1º trabalho discográfico dos Cupertinos, que representa uma incursão pela obra magistral de Manuel Cardoso com enfoque nas temáticas da penitência e redenção.
Manuel Cardoso (1566-1650) é, indubitavelmente, um dos mais reconhecidos e aclamados músicos portugueses de todos os tempos. A par de compositores como Pedro de Cristo (c.1550-1618), Duarte Lobo (c.1565-1646) ou Filipe de Magalhães (c.1571-1652), representa, de forma icónica, aquela que tem sido apelidada como a “Idade de Ouro” da Música Portuguesa, magistralmente cinzelada ao longo dos séculos XVI e XVII. Natural de Fronteira, Cardoso iniciou os seus estudos musicais em meados da década de 1570 no Collegio dos Moços do Coro da Sé de Évora – um dos mais profícuos centros de formação musical da época –, onde terá sido discípulo de Manuel Mendes (1547-1605). Em 1588, ingressou no Convento do Carmo, em Lisboa, onde se veio a tornar organista e Mestre de capela, cargo que ocupou durante seis décadas.
Ainda em vida, eram frequentes as alusões elogiosas e respeitosas relativamente à sua intensa devoção e ao seu excecional talento musical, características que Manuel Cardoso integrou num estilo de composição particularmente expressivo, em que privilegiava alguns dos textos litúrgicos de maior carga dramática. O alinhamento de hoje, inspirado na centralidade e perenidade das temáticas da penitência e redenção, gravita em torno dos verdadeiros eixos do Ano Litúrgico – o Tempo do Advento e o Tempo da Quaresma. Ainda com uma incursão pela conceptualmente aparentada Liturgia de Defuntos, com particular destaque para a Missa Pro Defunctis a 4, são aflorados três dos cinco livros que Manuel Cardoso viu publicados, em Lisboa, entre 1613 e 1648: Cantica Beatae Mariae Virginis (1613), Missae qvaternis qvinis, et sex vocibus, liber primvs (1625) e Livro de varios motetes, officio da semana santa, e ovtras cousas (1648).

8 NOV

SETE LÁGRIMAS
SEXTA-FEIRA | 21h00
Convento de São Pedro de Alcântara

The world’s mine oyster
Viagem às cidades-palco de Shakespeare, às geografias e aventuras das suas personagens e aos sons que as podiam guiar.

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Filipe Faria | Voz e Direcção Artística
Sérgio Peixoto | Voz e Direcção Artística
Denys Stetsenko | Violino Barroco
Sofia Diniz | Viola da Gamba
Tiago Matias | Tiorba, Alaúde e Guitarra Barroca
Rui Silva | Percussão Histórica

London (Inglaterra)

Linger your patience on; and we’ll digest
The abuse of distance; force a play:
The sum is paid; the traitors are agreed;
The king is set from London;

Henry V | Acto 2, Prólogo

1.The spirit of gambo, Tobias Hume (?1579-1645)

2. Flow my tears, John Dowland (1563-1626)

Bourdeaux (França)

Go to the gates of Bourdeaux, trumpeter:
Summon their general unto the wall.

Henry VI, parte 1 | Acto 4, Cena 2

3. Je chanterai car Dieu est ma lumière, Claude Goudimel (c.1514/1520-1572), adapt. Filipe Faria/Sérgio Peixoto

Navarre (Navarra)

Navarre shall be the wonder of the world;
Our court shall be a little Academe,
Still and contemplative in living art.

Love’s Labour’s Lost | Acto 1, Cena 1

4. Con amores la mi madre, Juan Achietta (1462-1523)

5. La terrible pena mia, ilipe Faria/Sérgio Peixoto sobre texto s. XVI

Venice (Sereníssima República de Veneza)

I shall have so much experience for my pains, and so, with
no money at all and a little more wit, return again to Venice.

Othello | Acto 2, Cena 3

6. Toccata arpeggiata, Giovanni Girolamo Kapsberger (c.1580-1651)

7. Passacaglia della vita, Stefano Landi (1587-1639)

Milan and Verona (Lombardia)

Launce! by mine honesty, welcome to Milan!

Two Gentlemen of Verona | Acto 2, Cena 5

There is a lady in Verona here
Whom I affect; but she is nice and coy
And nought esteems my aged eloquence:

Two Gentlemen of Verona | Acto 3, Cena 1

8. Ciaconna, Francesco Corbetta (ca.1615-1681)

9. San Giuseppe e la Madonna, Tradicional (Itália/Lombardia)

Agincourt (França)

KING HENRY V
Praised be God, and not our strength, for it!
What is this castle call’d that stands hard by?
MONTJOY
They call it Agincourt.
KING HENRY V
Then call we this the field of Agincourt,
Fought on the day of Crispin Crispianus.
Henry V | Acto 4, Cena 7
KING HENRY V
Do we all holy rites;
Let there be sung ‘Non nobis’ and ‘Te Deum;’
The dead with charity enclosed in clay:
And then to Calais; and to England then:
Where ne’er from France arrived more happy men.

Henry V | Acto 4, Cena 8

10. Non nobis Domine, Psalm (115/113b)

A cavern (Escócia)

O well done! I commend your pains;
And every one shall share i’ the gains;
And now about the cauldron sing,
Live elves and fairies in a ring,
Enchanting all that you put in.
[Music and a song: ‘Black spirits,’ & c]

Macbeth | Acto 4, Cena 1

11. Ye banks and Braes, trad. Escócia, adapt. Filipe Faria/Sérgio Peixoto

12. Black spirits and white, red spirits and gray, Thomas Middleton (1580-1627), adapt. Filipe Faria/Sérgio Peixoto

London (Inglaterra)

Why, ‘tis a gull, a fool, a rogue, that now and then
goes to the wars, to grace himself at his return
into London under the form of a soldier.

Henry V | Acto 3, Cena 6

13. Prince Rupert’s March, John Playford (1623-1686/7) in “The English Dancing Master” (1651), adapt. Filipe Faria/Sérgio Peixoto

14. Daphne, John Playford in “The English Dancing Master”/Jacob van Eyck (c.1590-1657), adapt. Filipe Faria/Sérgio Peixoto

William Shakespeare morreu há 402 anos, a 23 de Abril de 1616. Nascido em 1564, em Stratford-upon-Avon (Warwickshire) é considerado o maior escritor de língua inglesa e um dos maiores (senão o maior) dramaturgo de sempre. Poeta, dramaturgo e actor Shakespeare terá escrito cerca de 37 peças para além de sonetos, poemas, etc… Entre 1585 e 1592 iniciou uma carreira brilhante em Londres (Inglaterra) integrando e dirigindo a Companhia Lord Chamberlain’s Men (mais tarde designada de King’s Men).
O título deste programa – “The world’s mine oyster” – é uma citação de “The Merry Wives of Windsor” (Acto 2, Cena 2) entretanto absorvida pela linguagem comum como notando que o mundo é nosso se o quisermos descobrir. No contexto original da peça Pistol responde a Falstaff com uma espécie de ameaça ao facto deste último se recusar a emprestar dinheiro (“I will not lend thee a penny.”). A resposta de Pistol – “Why, then the world’s mine oyster. Which I with sword will open.” – pode ser lida como uma metáfora da entrega, dedicação e esforço necessários para descobrirmos o que está escondido e que não é senão uma promessa.
A partir dessa promessa propomos uma viagem às cidades-palco de Shakespeare, às geografias e aventuras das suas personagens. Uma viagem pela Europa dos séculos XVI/XVII procurando os sons que as podiam guiar, uma espécie de mapa sonoro do que poderia ser a grande viagem… A cidade ou região como local de nascimento de um compositor, como local de trabalho, como origem de uma canção popular ou parte de um acontecimento histórico relevante.
Nascido na Escócia por volta de 1579, Tobias Hume (?1579-1645) é considerado um dos maiores compositores para viola da gamba. Pouco se sabe da sua vida mas terá vivido em Londres tendo sido admitido na London Charterhouse em 1629. A sua defesa intransigente da viola da gamba contra o alaúde – o instrumento dominante da época – , levou John Dowland (1563-1626) a publicar, em 1612, uma defesa do alaúde contra os “ataques” de Hume. Dowland terá nascido em Londres e viveu nesta cidade até ser contratado pelo Rei Cristiano IV da Dinamarca em 1598 como músico de corte e um dos mais bem pagos funcionários do Rei. Dowland era conhecido por toda a Europa pelas suas melodias e textos melancólicos como “Flow my tears”. Sobre este tema compôs a obra instrumental “Lachrimae, or Seaven Teares”, um conjunto de sete pavanas (danças) sobre as lágrimas humanas conhecida em toda a Europa de então. O título desta obra deu o nome ao consort.
Nascido em Paris, Claude Goudimel (c.1514/520-1572) converteu-se ao Protestantismo em Metz, em 1557, tendose associado à causa Huguenote. Harmonizou os salmos Calvinistas do “Livro de Salmos de Genebra” dos quais “Je chanterai car Dieu est ma lumière” faz parte. Fugiu de Metz perante a crescente hostilidade contra os Protestantes durante a Guerra da Religião e acabou mesmo por ser morto, em Lyon, em 1572, no Massacre da Noite de São Bartolomeu. Benjamin de Rohan, duque de Soubise, comandou uma segunda revolta Huguenote, em 1625, contra Louis XIII e ocupou a ilha de Ré, perto de La Rochelle. Daí comandou um ataque bem sucedido à Bretanha. Regressou à ilha de Ré e controlou a costa de Nantes a Bordéus.
Juan de Anchieta (1462-1523) nasceu no seio de uma importante família Basca, em Azpeitia. Em 1489 foi contratado como maestro di capilla da Rainha Isabel I, a Católica, em 1495 de D. João, Príncipe das Astúrias, e, em 1504, da Rainha Joana I, a Louca. No final da vida regressou ao convento que tinha fundado na sua cidade natal. Navarra, onde se passa a acção de Love’s Labour’s Lost – num parque da Corte Real de Navarra – é uma região geográfica, cultural e historicamente integrada no País Basco.
Sabe-se pouco dos primeiros anos de vida de Giovanni Girolamo Kapsperger (c.1580-1651) mas o seu pai, Wilhelm von Kapsperger, Oficial da Casa Imperial dos Hapsburgos, trabalhou em Veneza, cidade onde se diz ter nascido o filho. Compositor e brilhante virtuoso de alaúde e tiorba, Kapsperger mudou-se para Roma em 1605. Em 1624 entrou ao serviço do Cardeal Francesco Barberini onde trabalhou com grandes compositores como Stefano Landi (1587-1639). “Toccata arpeggiata” de Kapsberger e “Passacaglia della vita” de Landi são talvez das obras mais icónicas destes compositores. Landi nasceu em Roma e trabalhou em Veneza entre 1618 e 1620.
O compositor, virtuoso da guitarra barroca e professor Francesco Corbetta (ca.1615-1681) trabalhou na Corte de Carlos II, Duque de Mântua (Lombardia). Viajou por toda a Europa tendo passado os últimos anos entre Paris e Londres.

10 NOV

ORQUESTRA JUVENIL GERAÇÃO
DOMINGO | 16h30
Igreja de São Roque
Apresentação musical do 4º estádio do projeto pedagógico (crianças e jovens) centrado na ação e desenvolvimento social através da Música.
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O projeto Orquestra Geração foi fundado em 2007 pela Escola de Musica do Conservatório Nacional e a Camara da Amadora num programa existente na escola Miguel Torga apoiado pelo fundo europeu Equal e pela Fundação Gulbenkian. Começou com 15 crianças e 4 professores e agora, passados 10 anos de atividade, atingiu as 1070 crianças e quase 80 professores. O projeto é apoiado pelos Ministérios da Educação e da Administração Interna, pelas Câmaras Municipais onde se localizam as diversas escolas intervencionadas e por diversas entidades privadas. O objetivo foi e será o da intervenção social através da música, muito especificamente da prática orquestral, aplicando a metodologia do El Sistema oriundo da Venezuela. Trabalhamos atualmente em 22 escolas básicas na região de Lisboa e de Coimbra e temos conseguido proporcionar as crianças que frequentam o programa a possibilidade de estarem mais habilitados para efetuarem uma boa escolha quanto ao seu futuro. Como costumamos dizer: MAIS QUE MÚSICA TOCAMOS VIDAS.
O projeto Orquestra Geração recebeu o Prémio Nacional de Professores do Ministério da Educação (2010), foi por duas vezes considerado um dos melhores projetos de intervenção social de toda a União Europeia (2013 e 2014) e recebeu menção honrosa da Fundação Mota Engil (2017) e foi considerado o projeto do ano de 2018 pela Companhia de seguros AGEAS.
A Orquestra Geração | Sistema Portugal é um projeto pedagógico de inclusão social através da música, cujos resultados são já inegáveis. Ao longo dos últimos oito anos, mudou efetivamente a vida de muitos jovens e, como tal, dos seus agregados familiares. Dinamizando a comunidade e estabelecendo laços afetivos que reforçam a autoestima pessoal e coletiva. Melhorando a inserção na escola e o rendimento dos alunos, motivando-os para a necessidade de formação.
A reação do público e a qualidade das interpretações públicas é o sinal mais visível e imediato da relevância deste projeto. Mas é apenas o culminar de um trabalho profundamente enraizado e sustentado, que usa o ensino da música como meio para promover o sucesso educativo e de favorecer a inclusão social de crianças e jovens entre os 6 e os 18 anos de idade. Ponto de partida: a escolha de um instrumento que o aluno recebe e começa logo a tocar, ficando responsável pelo seu uso e manutenção. Um risco? Antes um elo de relação e promessa de um futuro a começar.

BILHETES

3€
À venda (a partir de 1 de outubro) na bilheteira do Museu de São Roque e online em lojadacultura.scml.pt
CONTACTOS

MUSEU DE SÃO ROQUE
213 235 444

DIREÇÃO DA CULTURA
213 235 740 | 213 240 880
tmsr@scml.pt

VISITAS GUIADAS
Sujeitas a marcação prévia:
213 240 887 | 869 | 866
culturasantacasa@scml.pt