Vencedores de brainstorming recebem como prémio viagem a Londres.

Vinte e quatro horas sem dormir e em reclusão no Convento de São Pedro de Alcântara. No final da primeira Maratona de Ideias envolvendo os colaboradores da SCML, foram três os projetos que se destacaram como possíveis soluções para grandes problemas.

O relógio marcava as 12h30 de dia 3 de dezembro, quando o Administrador da Misericórdia de Lisboa com os pelouros da Ação Social e do Empreendedorismo e Economia Social, Sérgio Cintra, começou a anunciar os vencedores da Maratona de Ideias, a primeira que envolveu exclusivamente os colaboradores da nossa instituição. À medida que os nomes iam sendo proferidos no antigo refeitório do Convento de São Pedro de Alcântara, ecoavam os gritos e os aplausos, enquanto se sucediam os abraços e as felicitações. Estavam escolhidos os três projetos que se destacaram na área da Empregabilidade, Alojamento Condigno e Saúde Mental, de entre os 18 que tinham sido apresentados perante um júri com especialistas das várias áreas.

“Este é um momento marcante! É o momento em que vocês sentem que fazem a diferença e que percebem que a Santa Casa tem em consideração o que vocês pensam”, afirmou Sérgio Cintra, referindo-se ao desafio lançado pela Misericórdia de Lisboa, batizado com o nome “Hackathon 100% Colaborativo”. O concurso, lançado há várias semanas, consistia em escolher 90 colaboradores que se disponibilizassem a estar “fechados” durante um dia e uma noite num dos conventos da Misericórdia de Lisboa.

Já em reclusão, e depois de agrupados em equipas de cinco pessoas, os “Hackathons” tinham que analisar os problemas que lhes eram colocados, debater diferentes ideias e apresentar projetos que configurassem possíveis soluções para os problemas / desafios. A etapa final seria a apresentação dos projetos perante um júri, que selecionaria então os vencedores. ​

​Mais do que aceitar o convite da Santa Casa e fazer parte da solução, o desafio lançado continha uma dose acrescida de responsabilidade. Afinal, e como explicou o provedor da instituição na segunda-feira, na cerimónia que dava o tiro de partido para o início da Maratona de Ideias, a Misericórdia de Lisboa “tem uma perspetiva elevada” relativamente ao que sairia no final das 24 horas.

“O que esperamos é que possam sair daqui ideias e sugestões, para que possamos fazer cada vez melhor o nosso trabalho”, avisou Edmundo Martinho perante uma plateia de colaboradores de todas as faixas etárias, provenientes de diversos equipamentos e serviços da SCML, com diferentes experiências profissionais. Em comum, apenas as mochilas e trolleys que os acompanhavam, assim como a ansiedade por estarem prestes a embarcar numa aventura inédita.

Na terça-feira, precisamente um dia e uma noite depois do início do desafio, na mesma sala onde a aventura tinha começado, o cansaço e o entusiasmo dominavam os participantes. Vencedores e vencidos, todos eram unânimes em elogiar a iniciativa, em garantir que voltariam a repetir a experiência e a apontar a conciliação de opiniões e visões como a maior dificuldade sentida.

Terminado o “Hackathon 100% Colaborativo”, que “se espera que seja o primeiro de outros”, como reforçou o provedor da SCML, a etapa seguinte será transpor os projetos vencedores para o terreno.

Entretanto, as três equipas vitoriosas preparam-se para iniciar uma nova aventura: entrar num avião com destino a Londres, numa viagem oferecida pela SCML, para assistir ao FutureFest 2020, um dos mais conceituados festivais mundiais, onde se debate o futuro e os desafios que se avizinham.

​​Desafio A – ALOJAMENTO CONDIGNO

  • Margarida Galveia
  • Maria Gonçalves
  • Luís Reis
  • Luna Pais

Criado pelo Grupo “Comigo”, os vencedores do Desafio da Habitação desenvolveram uma solução que visa combater o problema de salubridade habitacional: acumulação de lixo, pragas e desorganização habitacional motivada pela precaridade económica, problemas do foro mental e emocionais, consumo de álcool e estupefacientes, isolamento social e comportamentos de autonegligência.

A solução vencedora propõe proporcionar um alojamento condigno a famílias em situação de insalubridade, prevendo a identificação e sinalização da SCML, acolhimento residencial temporário, intervenção multidisciplinar junto das famílias, intervenção em casa do utente/família até ao regresso à habitação, mantendo o acompanhamento de proximidade da equipa multidisciplinar.

Desafio E – EMPREGABILIDADE

  • João Cadima
  • Pedro Monteiro
  • Manuel Leite
  • Cláudia Costa
  • Carolina Branca

A equipa vencedora do desafio relativo à Empregabilidade propõe a criação do “Match Point”, uma plataforma digital que integra informação de candidatos e empregos. A solução prevê ainda a existência de uma equipa de “Matchers”, que acompanham o processo de empregabilidade dos candidatos, incluindo o respetivo follow up.

O “Match Point” é dirigido a candidatos desempregados ou em processo de transição para a vida ativa, contempla uma formação à medida das necessidades dos postos de trabalho, estabelece um protocolo com o empregador que garanta ofertas de emprego e prevê a atribuição de um selo Match Point/Santa Casa à entidade patronal.

Desafio S – SAÚDE MENTAL

  • Ana Raquel Azevedo
  • Carlos Alberto Inácio
  • Ana Célia Vicente
  • Inês Pombo
  • António Lopes

A vencedora do desafio da Saúde Mental foi a PsiColab+, uma plataforma de gestão de respostas integradas no contexto da Saúde Mental.

A solução apresentada visa a criação de um sistema de informação partilhado, integrado nos sistemas já existentes, a serem utilizados pelos diferentes serviços da SCML e utentes, possibilitando um articulação rápida e transparente.

A proposta prevê igualmente a criação de uma equipa especializada (composta por profissionais de saúde e ação social), que funcione num sistema de monitorização periódica e de intervenção rápida, capaz de atuar com prontidão e eficácia perante uma necessidade imediata de um utente.

Adaptada para profissionais, utentes, familiares ou cuidadores, a plataforma integra, entre outras funcionalidades, a gestão de caso multiprofissional, um módulo de referenciação (recursos humanos e materiais), um módulo de agendamento e alertas, um módulo de auto-reporte e um módulo de contacto através de mensagens ou telefone.

​O projeto promove ainda a participação ativa do utente e/ou cuidadores no processo de cuidados, a individualização dos cuidados através da criação de respostas adaptadas, uma linguagem comum de registo e referenciação entre todos os profissionais, proporcionando agilidade e rapidez nas respostas.