Como podemos promover conhecimento, ações e respostas das comunidades ao ODS 12

Tens um projeto alinhado com o Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e sentes “aquela call” para proteger o nosso planeta?

Ainda vais a tempo de responder ao desafio do Santa Casa Challenge: “Como podemos promover conhecimento, ações e respostas das comunidades às alterações climáticas?”.

Se a tua solução for a vencedora, recebes um prémio de 15 mil euros + 1 ano de incubação na Casa do Impacto e ainda um Alpha Packs Web Summit 2020!

Se achas que ainda precisas de um kick-off, este é o segundo de três posts que preparámos para ti, com alguns highlights e links sobre os ODS 11, 12 e 13.

No primeiro post falámos sobre cidades e comunidades sustentáveis, percebendo que a sua existência está dependente de formas de produção e hábitos de consumo responsáveis.

Nesse seguimento, exploramos hoje aqui o ODS 12, trazendo alguns conceitos inerentes, bem como exemplos de boas práticas.

A agenda 2030 das Nações Unidas, lista 11 pontos fundamentais para que possam ser garantidos padrões de consumo e produção sustentáveis:

  1. A implementação do Plano Decenal de Programas sobre Produção e Consumo Sustentáveis, originalmente 10 Year Framework of Programmes on Sustainable Consumption and Production Patterns (10YFP).

Este plano de ação global, detalha medidas de ação para acelerar a transição para padrões mais sustentáveis de consumo e produção, tanto nos países desenvolvidos como em desenvolvimento.

Num artigo no site do Parlamento Europeu podemos ler que, até 2050, a utilização sustentável de recursos pela União Europeia, exigirá medidas como:

  • Uma redução absoluta do consumo de recursos
  • Um aumento na utilização das energias renováveis (dentro dos limites da sua renovabilidade)
  • A eliminação progressiva das substâncias tóxicas

Lembrando que:

  • A economia global utiliza o equivalente a 1,5 vezes os recursos do planeta para conseguir a sua produção total e absorver os resíduos, estimando-se que até 2030, este número duplique!
  • A Europa depende mais de recursos importados do que qualquer outra região do mundo: 40% de todos os materiais utilizados na UE são importados!
  1. Uso eficiente dos recursos naturais – água, energias, solo, floresta, etc.

Sobre este tema, iremos falar no próximo post quando abordarmos o ODS 13 – Ação climática. Fica atento!

  1. Reduzir o desperdício de alimentos per capita mundial, nos níveis de varejo e do consumidor, e reduzir as perdas de alimentos ao longo das cadeias de produção e abastecimento, incluindo as perdas pós-colheita

Cerca de 14% dos alimentos do mundo são perdidos após a colheita e antes de chegar ao varejo. A situação ocorre inclusive durante atividades em campos agrícolas, armazenamento e transporte.

Estas e outras informações fazem parte do relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura – FAO.

São já vários os projetos que operam nas várias etapas dos processos de produção e distribuição, como forma de minimizar este desperdício, valorizando-o.

 

  1. Manejo ambientalmente saudável dos produtos químicos e de todos os resíduos ao longo de todo o ciclo de vida destes, reduzindo significativamente a liberação destes para o ar, água e solo e minimizando os seus impactos negativos sobre a saúde humana e o meio ambiente

Como referirmos no ponto 2, falaremos também sobre este ponto, no post seguinte, quando abordarmos o ODS 13 – Ação climática. Fica atento!

 

  1. Reduzir a geração de resíduos por meio da prevenção, redução, reciclagem e reuso

Reduzir (reduce), reutilizar (reuse) e reciclar (recicle) foram os 3 R’s que durante décadas prevaleceram como práticas sustentáveis a adotar.

No entanto, a crise ambiental que atravessamos agora, deixa claro que estas práticas não eram nem são de todo suficientes.

Um novo modelo de 5 R’s está na base do movimento global Zero Waste Lifestyle, ou Desperdício Zero, que assentando em conceitos como o de minimalismo, tem sido disseminado em Portugal através de várias organizações. Este modelo, acrescenta ao anterior mais dois conceitos: o de refuse (recusar) e o rot (decompor).

Partilhado em diversas plataformas e grupos como o do Lixo Zero Portugal, workshops e até guias, este modelo transmite a ideia de que quanto mais coisas recusarmos, menos temos de reduzir; quanto mais reduzirmos menos temos de reutilizar, quanto mais reutilizarmos menos temos de reciclar.

Reutilizar/ reciclar X Economia circular

A economia circular é um modelo de produção e de consumo que envolve a partilha, a reutilização, a reparação e a reciclagem de materiais e produtos existentes, alargando o ciclo de vida dos mesmos. Na prática, a economia circular implica a redução do desperdício ao mínimo.

  • Quando um produto chega ao fim do seu ciclo de vida, os seus materiais são mantidos dentro da economia sempre que possível, podendo ser utilizados uma e outra vez, criando assim mais valor.

A economia circular contrasta com o modelo económico linear baseado no princípio “produz- utiliza-deita fora”.

Economia circular X Economia linear

A economia linear aliada ao aumento da população mundial tem causado uma procura crescente por matérias-primas, muitas delas escassas e finitas.

Para além da importação massiva de matérias-primas, a extração e a utilização destas matérias-primas aumentam o consumo de energia e as emissões de CO2 com um grande impacto no ambiente.

Benefícios da economia circular

Medidas para a prevenção de resíduos e para a promoção do design ecológico ou da reutilização podem significar poupanças líquidas no valor de 600 mil milhões de euros, ou 8% do volume de negócios anual, para as empresas (da União Europeia) e a redução das emissões anuais totais de gases com efeito de estufa em 2-4%.

A economia circular pode ainda trazer benefícios como a redução da pressão no ambiente; maior segurança no aprovisionamento de matérias-primas; aumento da competitividade e promoção da inovação, crescimento e emprego (criação de 580 000 postos de trabalho na UE).

A economia circular também pode fornecer aos consumidores produtos mais duradouros e inovadores.

Como funciona a economia circular?

A organização Circular Economy Portugal explica-nos que a economia circular é um sistema de produção e consumo que promove o uso sustentável dos recursos, em ciclos fechados energizados por fontes renováveis, regenerando o capital natural e assegurando o progresso social.

(fonte: https://www.circulareconomy.pt/)

O conceito de economia circular começou a ser operacionalizado nos anos 80 e 90, pela Holanda e Alemanha. A partir de 2010, a União Europeia publicou uma série de diretivas que em 2015 tomaram o nome de Fechar o Ciclo – Um Plano de Ação para a Economia Circular (e que constituiria o quadro de partida para Plano de Ação para a Economia Circular que o governo português lançou no final de 2017)

 

Princípios da economia circular

  1. Regeneração do capital natural

O termo “capital natural” transmite a ideia de que a vida não-humana é responsável pela produção de recursos essenciais para a economia e que não são apenas as atividades humanas que geram valor. Este pressuposto gera então duas ideias essenciais:

  • Por um lado, quando a produção de bens e serviços tem como consequência a destruição dos ecossistemas (exemplo: a poluição de um curso de água por uma fábrica têxtil), é a própria vida humana que está a ser destruída – sobretudo a das gerações futuras, às quais vai faltar esse capital natural.
  • Por outro lado, uma vez que as atividades produtivas humanas dependem do capital natural, ao reforçarmos os recursos naturais estamos a reforçar o potencial de crescimento sustentável da nossa economia.
  1. Fechar os ciclos

Em vez de exigirem repetida extração de recursos naturais e de gerarem resíduos, a produção e o consumo deveriam ocorrer, tanto quanto possível, em ciclos fechados. Num ciclo económico desta natureza, o desperdício não existe: os bens são reparados e reutilizados em vez de descartados e as matérias-primas provêm da reciclagem em vez da extração.

(fonte: https://www.circulareconomy.pt/)

São distinguidos assim, dois tipos de ciclos: o orgânico e o técnico.

  • No ciclo orgânico, os processos naturais da vida regeneram recursos (exemplo: a compostagem de alimentos que devolve nutrientes ao solo).
  • No ciclo técnico, os mesmos materiais são usados repetidamente (por exemplo: polímeros, ligas, etc.), com o menor aporte de energia possível e por forma a manter o máximo de qualidade. Mas, para que essa reinserção seja possível, os materiais têm de ser concebidos de acordo com critérios de ecodesign e tem de haver sistemas de gestão de informação que sustentem o processo.
  1. Perspetiva sistémica

A mudança de paradigma económico – de linear para circular – requer a ativação e a transformação integrada de todos os elementos do sistema e das suas relações. Não se trata de promover a eficiência energética das unidades de produção, ou de alterar hábitos de consumo, ou de promulgar políticas ambientais; trata-se de fazer tudo isto e mais, de forma integrada e articulada, sem nunca perder de vista o debate essencial sobre o que é, e como alcançar, o bem-estar do planeta e da humanidade, com todos e para todos, hoje e no futuro.

Upcycling – um exemplo de economia circular

O upcycling é uma estratégia de reutilização que recorre à transformação criativa de materiais e componentes descartados, aplicando conceitos inovadores de design para criar novos produtos. Os benefícios são vários: prevenção do desperdício, redução da extração de matérias virgens, geração de valor económico, criação de emprego a nível local e dinamização cultural.

Do ponto de vista da economia circular, o aterro e incineração devem ser os últimos recursos. Também a reciclagem não é ideal para o tratamento de resíduos, porque é voraz em energia e destrói a integridade dos materiais. O upcycling dispensa esse ciclo de processamento e surge por isso como alternativa à gestão convencional de resíduos (aterro, incineração ou reciclagem).

Projetos que usam upcycling na sua base

Repair Cafés, entre outros, são bons exemplos da aplicação deste conceito. Referem-se a encontros entre pessoas que querem revitalizar objetos envelhecidos ou acidentados e voluntários experientes, que ensinam a reparar pequenos eletrodomésticos, brinquedos, roupa e peças de mobiliário, entre outros.

Outros pontos enunciados como fundamentais para a concretização do ODS 12 são:

  1. Incentivar as empresas a adotar práticas sustentáveis e a integrar informações de sustentabilidade em seu ciclo de relatórios
  2. Promover práticas de compras públicas sustentáveis
  3. Informação relevante e conscientização para o desenvolvimento sustentável e estilos de vida em harmonia com a natureza
  4. Apoiar países em desenvolvimento a fortalecer suas capacidades científicas e tecnológicas para mudar para padrões mais sustentáveis de produção e consumo
  5. Desenvolver e implementar ferramentas para monitorar os impactos do desenvolvimento sustentável para o turismo sustentável, que gera empregos, promove a cultura e os produtos locais
  6. Racionalizar subsídios ineficientes aos combustíveis fósseis, que encorajam o consumo exagerado, eliminando as distorções de mercado, de acordo com as circunstâncias nacionais, inclusive por meio da reestruturação fiscal e a eliminação gradual desses subsídios prejudiciais.

No próximo post vamos falar sobre o ODS 13 AKA ação climática. Até lá, ficamos a aguardar a tua candidatura ao Santa Casa Challenge!