Como podemos promover conhecimento, ações e respostas das comunidades ao ODS 13 – AÇÃO CLIMÁTICA?

Tens um projeto alinhado com o Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e sentes “aquela call para proteger o nosso planeta?

Ainda vais a tempo de responder ao desafio do Santa Casa Challenge: “Como podemos promover conhecimento, ações e respostas das comunidades às alterações climáticas?”.

Se a tua solução for a vencedora, recebes um prémio de 15 mil euros + 1 ano de incubação na Casa do Impacto e ainda um Alpha Packs Web Summit 2020!

Se achas que ainda precisas de um kick-off, este é o terceiro de três posts que preparámos para ti, com alguns highlights e links sobre os ODS 11, 12 e 13.

Nos post anteriores falámos sobre cidades e comunidades sustentáveis, percebendo que a sua existência está dependente de formas de produção e hábitos de consumo responsáveis.

Estes dois ODS estão intrinsecamente ligados entre si e respondem ao ODS 13 – Ação Climática, que trazemos hoje aqui.

Sobre este ODS (13) a ONU diz-nos que as medidas urgentes para combater as alterações climáticas e os seus impactos são:

  • Reforçar a resiliência e a capacidade de adaptação a riscos relacionados com o clima e as catástrofes naturais em todos os países
  • Integrar medidas relacionadas com alterações climáticas nas políticas, estratégias e planeamentos nacionais
  • Melhorar a educação, aumentar a consciencialização e a capacidade humana e institucional sobre medidas de mitigação, adaptação, redução de impacto e alerta precoce no que respeita às alterações climáticas
  • Implementar o compromisso assumido pelos países desenvolvidos na Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas [UNFCCC, em inglês] de mobilizarem, em conjunto, 100 mil milhões de dólares por ano, a partir de 2020, a partir de variadas fontes, de forma a responder às necessidades dos países em desenvolvimento, no contexto das ações significativas de mitigação e implementação transparente; e operacionalizar o Fundo Verde para o Clima por meio da sua capitalização o mais cedo possível
  • Promover mecanismos para a criação de capacidades para o planeamento e gestão eficaz no que respeita às alterações climáticas, nos países menos desenvolvidos e pequenos Estados insulares em desenvolvimento, e que tenham um especial enfoque nas mulheres, jovens, comunidades locais e marginalizadas
  • Reconhecer que a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas é o principal fórum internacional, intergovernamental para negociar a resposta global às alterações climáticas

As alterações climáticas são, pois, um dos maiores desafios que a humanidade enfrenta no século XXI e nós desafiamos-te a contribuíres para a mudança dessa realidade.

Factos, desafios e soluções – O que nos dizem as ONG que trabalham em prol do ambiente em Portugal?

A queima de combustíveis fósseis como o petróleo, o carvão e o gás natural, resulta em enormes emissões de dióxido de carbono, o principal gás de efeito de estufa, o que tem levado ao aquecimento global e consequentes alterações climáticas. Em paralelo, a desflorestação mundial impede que o carbono em excesso na atmosfera possa ser removido.

Um dos principais impactos das alterações climáticas é a subida do nível do mar que, à escala mundial, pode atingir um metro no ano 2100.

Em Portugal prevê-se que haja uma subida da temperatura média anual de 7 graus Celsius entre 2081-2100. A precipitação também irá sofrer alterações significativas, com um decréscimo de 15% até 2100 nos meses de Outono/Inverno e de 25% na Primavera/Verão.

Para combater estas alterações e mitigar os seus efeitos, é urgente que se faça uso eficiente dos recursos naturais e que se trabalhe para o manejo ambientalmente saudável dos produtos químicos e de todos os resíduos ao longo do seu ciclo de vida, reduzindo a liberação destes para o ar, água e solo.

 

ENERGIA E MOBILIDADE – FACTOS E DESAFIOS!

  • Cada português emite em média 6,5 toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2) por ano; um habitante dos Estados Unidos da América e da China emite 17,5 toneladas de CO2/ano e 6,2 toneladas de CO2/ano, respetivamente
  • 74% da energia consumida em Portugal ainda depende do exterior. A dependência energética tem diminuído em parte, pelo aumento da produção de energia renovável (nacional)
  • 26% das emissões de gases com efeito de estufa em Portugal provém do sector dos transportes, em particular devido ao transporte rodoviário individual
  • 25% da energia consumida em Portugal é proveniente de fontes renováveis. A biomassa continua a ser a maior fonte de energia renovável (45%). A energia elétrica hídrica (barragens) aparece em segundo lugar (26%), com a energia eólica já com um contributo muito próximo, na ordem dos 20%
  • Em 2014, 63% do consumo de eletricidade foi assegurado por fontes renováveis. Em 2015 esse valor foi de 50% devido à menor produção de hídrica

QUE SOLUÇÕES?

  • Aposta nos recursos endógenos e renováveis
  • Fiscalidade verde que penalize mais as emissões de carbono
  • Mobilidade sustentável com aposta na valência elétrica e nos modos suaves como o uso de bicicleta, preparando as cidades e as pessoas para este desafio
  • A tua solução! Candidata-te

GESTÃO SUSTENTÁVEL DOS SOLOS E TERRITÓRIO – FACTOS E DESAFIOS!

  • A percentagem de solo artificializado em Portugal é 5% do total do território, correspondendo a cerca de 450 mil hectares
    • O crescimento demográfico é responsável por um aumento exponencial das necessidades de produção de alimentos, o que tenderá a aumentar exponencialmente
    • As dietas ricas em produtos de origem animal, estão a pressionar a produção de alimentos. Acresce a redução da disponibilidade de água, o aumento das temperaturas, a perda de solo motivada pela desertificação e pela urbanização, as limitações da inovação tecnológica e a ineficiência no uso dos fatores de produção (fertilizantes, pesticidas, água e energia) para melhorar a intensidade agrícola. Tudo isto, acelera a conversão de habitats naturais e potencia o aumento dos níveis de poluição atmosférica
  • Cerca de 80% da população portuguesa reside na faixa litoral de 60 km entre Porto e Setúbal e metade da população portuguesa habita nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto
    • A população está excessivamente concentrada nas grandes cidades do litoral, o que traz consequentes pressões sobre os recursos como na aquisição de matérias primas, na produção de alimentos e de energia, e na distribuição de bens e serviços
  • O transporte ferroviário em Portugal perdeu 44% de passageiros nos últimos 25 anos, tendo sido encerrados 770 km de via-férrea
  • O solo é um recurso natural não renovável a curto prazo. 1 cm de solo levar mais de 100 anos a formar-se e, no entanto, pode degradar-se em apenas algumas horas. A implementação de determinadas atividades em solos inadequados para esse efeito conduz à sua degradação:
    • Impermeabilização – para construção e instalação de infraestruturas
    • Erosão – pela água, pelo vento ou ainda devido a incêndio
    • diminuição da matéria orgânica – devido a uso agrícola intensivo e inadequado
    • Compactação – por más práticas agrícolas ou florestais
    • Salinização – devido a uso excessivo de fertilizantes ou devido a intrusão salina em aquíferos e água de rega
    • Deslizamento de terras
    • Contaminação – local e difusa, esta última relacionada com a agricultura

 

QUE SOLUÇÕES?

  • Ajuste entre as dietas humanas e uma agricultura que copie e otimize os processos ecológicos que ocorrem nos ecossistemas naturais
  • Investimento na investigação agronómica
  • Investimento na sensibilização dos cidadãos
  • Penalização fiscal à indústria pecuária intensiva e a todas aquelas que sejam nocivas à saúde pública e aos ecossistemas
  • Racionalização do uso do solo (preservação) até às zonas urbanas, invertendo o processo de impermeabilização crescente
  • Sustentabilidade do uso do solo, nomeadamente através da promoção de boas práticas agrícolas
  • A tua solução! Candidata-te

GESTÃO SUSTENTÁVEL DA ÁGUA – FACTOS E DESAFIOS!

  • Morrem todos os dias cerca de 60 000 pessoas por doenças relacionadas com a água. Destas, 5 mil são crianças. Cerca de 2,4 mil milhões de pessoas não têm acesso a saneamento
  • Em Portugal, 22% da população não tem saneamento adequado
    • O direito à água potável e ao saneamento é considerado, desde 2010, um dos Direitos Humanos definidos pela Organização das Nações Unidas (ONU)
  • Em Portugal, 56% das massas de água, superficiais e subterrâneas, estão classificadas como tendo estado inferior a bom
    • Principais ameaças da água: a sua distribuição pela superfície do globo terrestre não é regular, ora registando situações crónicas de escassez, ora cheias e inundações frequentes; o aumento do seu consumo nas sociedades mais desenvolvidas e nos países em desenvolvimento, tem conduzido à sua sobre-exploração, poluição e contaminação
  • Estima-se que as populações de bacalhau, pescada, solha, entre outras espécies, tenham caído 95% nas últimas décadas. Mais recentemente o mesmo padrão de sobrepesca está a acontecer com uma das espécies de atum, quase ao ponto do colapso
  • É deitado ao mar mais lixo do que toneladas de peixe retiradas
  • Apesar de cerca de 70% da superfície da Terra se encontrar coberta de água, a maioria encontra-se nos oceanos e é salgada, não servindo para consumo humano sem tratamento prévio, ainda muito dispendioso
    • Dos 3% de água doce, a maioria encontra-se retida nas calotas polares e glaciares, restando apenas cerca de 0,7% acessível para as várias atividades humanas e para a manutenção dos ecossistemas naturais, e circula na atmosfera (águas pluviais), em águas superficiais (rios, lagos, charcos), em águas subterrâneas (aquíferos ou lençóis freáticos) e ainda nos seres vivos.

QUE SOLUÇÕES?

  • Esforços no sentido de uma maior eficiência do uso da água nas diversas atividades
  • Sistemas de tratamento urbano e industriais onde estes sejam deficitários ou inexistentes
  • Adoção de boas práticas agrícolas para a prevenção da contaminação das águas superficiais e subterrâneas
  • A tua solução! Candidata-te

BIODIVERSIDADE, FLORESTAS E AGRICULTURA – FACTOS E DESAFIOS!

  • Em Portugal, cerca de 57% dos habitats e 44% das espécies constantes da Diretiva Habitats apresentam um estatuto de conservação desfavorável na sua área de distribuição
  • As florestas portuguesas constituem um sumidouro líquido de carbono, com valores anuais de sequestro que variam entre os 11 e os 18 MtCO2equivalente
  • O eucalipto ocupa já mais de 25% do total da área florestal nacional, registando-se um preocupante e desregrado aumento da área com a presença da espécie, enquanto os carvalhais autóctones de folha caduca ocupam apenas cerca de 2% dos espaços florestais
  • Entre 1990 e 2012 arderam mais de 2,5 milhões de hectares de áreas florestais em Portugal continental
    • As principais ameaças ao património florestal e à biodiversidade além dos incêndios são: a desflorestação, o pastoreio, a expansão acentuada da área de eucalipto, a propagação incontrolável de espécies exóticas invasoras, a ausência de gestão florestal em grande parte das áreas privadas, a elevada fragmentação da propriedade associada à ausência de cadastro dos prédios rústicos, os agentes bióticos e as más práticas adotadas na preparação do terreno
  • 63% das áreas do território nacional são suscetíveis à desertificação, sendo esta um processo de que se manifesta na degradação das terras nas zonas áridas, semiáridas e sub-húmidas secas, em resultado da influência de vários fatores, incluindo as variações climáticas e as atividades humanas

SOLUÇÕES

  • Criação de infraestruturas verdes e da recuperação de, pelo menos, 15% dos ecossistemas degradados, com vista a atingir um saldo positivo no que respeita à artificialização do solo
  • Projetos de conservação e valorização da biodiversidade e dos ecossistemas
  • Promoção da gestão sustentável das florestas e de sensibilização dos cidadãos e dos agentes económicos para a promoção de uma agricultura/silvicultura e de um consumo de alimentos/biomateriais que tenham em conta os limites do planeta
  • A tua solução! Candidata-te

A informação aqui recolhida apoiou-se na informação disponibilizada por organizações especialistas:

  • ZERO – Associação Terrestre Sustentável
  • ONU News
  • QUERCUS – Associação Ambiental de Conservação da Natureza
  • Gaia – Grupo de Ação de Intervenção Ambiental

Ainda tens este fim-de-semana (até domingo, dia 8 de março) para submeteres a tua candidatura.

Ficamos a aguardá-la com muita expetativa. Até já!